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12/09/2017

IBOVESPA BATE RECORDE APÓS NOVE ANOS E ROMPE OS 74 MIL PONTOS

Por Chrystiane Silva e Lucinda Pinto | De São Paulo

Paulo Gala, do Fator: “A quebra do recorde em termos nominais tem um valor simbólico importante”

Uma combinação de fatores positivos há tempos não vistos na economia brasileira fez com que o Ibovespa rompesse os 74 mil pontos, deixando para trás o recorde de 73.516 pontos, registrado no dia 20 de maio de 2008. Com a alta de 1,70% de ontem, o principal índice da bolsa renovou a máxima, ao alcançar os 74.319 pontos. No pano de fundo, destaque para a perspectiva de queda da taxa básica de juros para perto dos 7% ao ano, menor nível da história, e os sinais de crescimento consistente, ainda que lento, num ambiente de inflação controlada.

Quando se olha para o desempenho do índice em dólares, o que se percebe é que a bolsa ainda está no meio do caminho do processo de recuperação do que perdeu nesses nove anos. Convertido para a moeda americana, o Ibovespa bateu 24.089 pontos, praticamente metade do nível registrado em 2008, de 44.367 pontos, segundo levantamento do Valor Data. Também em termos reais, há muito ajuste a ser feito. Levando-se em conta a inflação acumulada entre maio de 2008 e agosto deste ano, de 72,68%, o Ibovespa deveria estar em 126.951 pontos para igualar o patamar de nove anos atrás.

Ainda assim, analistas consideram que a recuperação do Ibovespa em termos nominais é relevante e deve ser lida como um sinal de melhora da percepção de risco dos investidores, o que é bastante emblemático após um período de franca piora dos quadros econômico e político do país desde então. “A quebra do recorde em termos nominais tem um valor simbólico importante”, afirma Paulo Gala, diretor-geral da Fator Administração de Recursos (FAR). “Mostra que o investidor voltou a gostar de Brasil.”

E essa leitura, compartilhada por vários analistas, é o que sustenta projeções ainda positivas para a bolsa neste ano. O Bank of America Merrill Lynch (BofA), por exemplo, espera que o Ibovespa alcance os 75 mil pontos no fim deste ano, enquanto o Bradesco BBI trabalha com uma estimativa de 78 mil pontos, com base, entre outros fatores, no crescimento projetado de 24% dos lucros das empresas em 2017.

Quando o Ibovespa atingiu sua marca histórica, em maio de 2008, o ambiente internacional era extremamente favorável a ativos emergentes. A China crescia a taxas de dois dígitos, impulsionando os preços globais de commodities para níveis recordes. O barril de petróleo, por exemplo, era negociado acima dos US$ 100,00. E o Brasil, que se beneficiava diretamente dessa exuberância internacional, viu seu PIB crescer 5,1%. Com as contas públicas sob controle – a relação dívida bruta/PIB estava em cerca de 56% -, a cereja do bolo veio com a conquista pelo país do selo de “investment grade” pelas grandes agências de risco, alimentando ainda mais o entusiasmo do investidor estrangeiro com os ativos domésticos.

Nove anos depois, o Ibovespa supera a marca histórica num momento em que esses elementos saíram de cena. O país acaba de interromper um período de dois anos de recessão e opera com perspectivas de crescimento ainda modestas, de 0,5% este ano e de 2,10% no próximo, segundo a última pesquisa Focus. A relação dívida bruta/PIB alcançou 73,8% em julho. Os riscos fiscais levaram o país a perder o selo de bom pagador no fim de 2015. No exterior, embora a liquidez global abundante favoreça ativos de risco, o crescimento do mundo emergente também é muito mais contido, o que altera o clima de forte euforia que se via lá atrás.

“Em 2008, foi a farra do boi. Chegamos ao paraíso, mas a bolha estourou”, diz Gala, da FAR, lembrando que, no encerramento daquele mesmo ano, o Ibovespa caiu para 37.550 pontos, pressionado pela crise internacional que culminou na quebra do banco Lehman Brothers, em setembro daquele ano.

O que justifica a aposta a favor da bolsa neste momento é a percepção de que o fundo do poço da economia ficou para trás, cenário sustentado principalmente por dois elementos: o nível de juro muito baixo – o mercado espera que a Selic caia a 7% no fim deste ano, enquanto o juro estava perto de 13% em 2008 – e a inflação sob controle, o que melhora as condições de renda e consumo. Trata-se de uma combinação inédita de fatores, com potencial de melhorar as condições econômicas no longo prazo.

Esse quadro explica a previsão feita pelo próprio Banco Central de que a retomada da economia vai acontecer pelo consumo, não pelo investimento. “Em 2008, vivemos a euforia do ciclo das commodities. Hoje, temos o ciclo da economia do shopping center, em que ganham as empresas ligadas ao crédito, ao consumo e ao varejo”, explica Gala, da FAR.

A análise da evolução do Ibovespa precisa levar em conta também o fato de que o indicador tem hoje uma composição muito diferente do que era em 2008, quando ações dos setores de petróleo e gás, petroquímica e materiais básicos respondiam por 52% do índice. Hoje, o percentual caiu para 26%. Já as ações do setor financeiro e de consumo básico aumentaram de 20%, em 2008, para 48%, agora, segundo André Carvalho, estrategista de ações para América Latina e chefe de análise de ações do Bradesco BBI. “Naquela época, o mais importante para o mercado de ações era a demanda da China, hoje são as perspectivas para a economia doméstica, o crescimento e a queda dos juros”, diz Carvalho.

Para se ter ideia, os papéis de apenas cinco empresas (basicamente de commodities) responderam por quase metade – 48,3 pontos percentuais – da alta de 40,24% do Ibovespa em 12 meses até a marca histórica de 20 de maio de 2008. Ao se aplicar o mesmo raciocínio para o novo recorde, as cinco empresas que mais contribuíram para a valorização de 28,14% do índice em 12 meses – maioria do setor financeiro, além de Vale – tiveram um peso muito menor, de 23,5 pontos percentuais da variação total. Ou seja, o ganho hoje está muito mais pulverizado, tanto em número de empresas como de setores.

Na avaliação de Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management, essas mudanças no índice tornam a bolsa menos dependente das commodities. “Olhando para os próximos dez anos, a avaliação é de que o crescimento será muito mais consistente”, afirma.

Para André Rosenblit, diretor de renda variável do banco Santander, outra mudança importante que favorece a bolsa é a evolução da alavancagem das companhias. Em 2008, as companhias tomavam dívida em linha com seu fluxo de caixa. “O endividamento era mais baixo, mas, como consequência, o crescimento também era menor e mais lento”, diz. Hoje, o endividamento médio das empresas está em 2,3 vezes sua geração de caixa, segundo dados do Santander. “Apesar de mais endividadas, as empresas tendem a crescer mais, o que favorece a tendência de valorização do Ibovespa”, diz o executivo.

Também ajuda a sustentar os cenários positivos para a bolsa a constatação de que o investidor tem hoje uma participação muito inferior ao que já se observou em outros momentos, o que demonstra que há potencial de crescimento das alocações em renda variável. Segundo Rosenblit, em 2008, a indústria de fundos de investimento tinha patrimônio de R$ 1,3 trilhão e 15% dos recursos eram destinados para o mercado de ações. Hoje, o patrimônio está em R$ 3 trilhões e só 5% estão investidos na bolsa.

A mesma lógica se aplica à participação dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro. Segundo cálculos de Carvalho, do Bradesco BBI, os fundos globais destinavam 2% dos recursos, em 2008, para ações no Brasil. Hoje, o percentual caiu para 0,7%. No caso dos fundos que investem em países emergentes, em 2008, eles aplicavam 17% dos recursos em ações brasileiras, percentual que caiu para 7%. Os patamares podem retornar aos níveis de 2008 com a perspectiva de continuidade dos ajustes macroeconômicos após as eleições. “O investidor hoje está comprando o ajuste fiscal que vai permitir o crescimento econômico”, diz Carvalho.

O principal risco para esse cenário positivo para o mercado de ações é a eleição presidencial. A grande questão é saber se o próximo governo terá compromisso com a agenda de reformas, considerada fundamental para que o quadro fiscal seja equilibrado. E também com uma gestão eficiente e independente de empresas estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras. “A incerteza eleitoral pode se refletir em um represamento de investimentos para o mercado de ações”, pondera Patah, do UBS.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Leônidas Herndl, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.
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